Prazo de vaidade

*Prêmio de Crônica Jornalística na Ecos Mostra 2016, entregue no auditório da Rede Gazeta, na noite do dia 28 de outubro.

Prazo de vaidade
Aurora em outrora não estaria pensando acerca disso, mas a sociedade a obriga refletir e ela, sem querer, o faz. A jovem trabalha pelamanhã e, antes de sair  de  casa,  faquestão  dum  lanche  reforçado.  Pratode  isopor, embalagens de iogurte e pacotes vazios de biscoito vão para o mesmo lixo das cascas de banana, mao e restos da comida da noite passada.
Ao assistir a novela diária, vê uma propaganda do governo sobre as coletas seletivas e ri em voz alta. “Eles acreditam mesmo que vão me enganar? Os lixos vão para o mesmo lugar no final, cisma. Efervescente é a vontade de querer ficar na mesma. De enxergar a mudança, mas virar as costas antes mesmo que ela se revele por inteiro.


Percebe que a publicidade deu certo quando repara as pessoas levando o lixo ao posto de coleta seletiva na pracinha pxima. que a ideia segue em frente e desconsidera sorrateiramente todos os comentários a respeito. Aurora fecha os olhos e aprecia a cegueira de não ver a comunidade evoluirno inconsciente, claro. No consciente vê e nada fala, nada ouve, nada analisa, e, finge, que nada vê. Ignora. Como os macacos sábios, do provérbio japonês, que não veem, que não falam e que não ouvem o mal. Com ointuito somente de manter um corpo social acomodado. Tão quieto que esqueceu de agir. O atalho? Muito mais fácil e atraente.
Para Aurora é um plano utópico ultrapassado. Intrínseca permanência em que nada floreia. Coletas de lixo são integradas à Praça do Carone, perto dela. Os dias correm e ela está na mesma. Munida com palavras passageiras move para  trás cada  vez que  continua  seproduzir  com  as oportunidades que possui. Sãopoucos os que têm perto do conforto do lar uma iniciativa a fim de progredir as boas ações no mundo. Aurora tem o que a maioria, composta pela minoria, carece. A motivação inexiste em grandes escalas, mas tera coleta seletiva por perto é um passo para ela fazer algo. Possui o perfil de olhar e falar sobre a desordem e o caos e tentar encontrar a negatividade em tudo que háe que também não , nunca houve e nunca haverá.
Jaz a aquarela de diversão no lixo. Cores e cores se misturam e viram a cor de nada, ou melhor, detudo. A cor cinza. Aurora se lembra da bagunça que a irmã mais nova fazia ao comer a papinha. Que era, coincidentemente, sem cor.
A esperança é a última que se vai, porém se partir apenas de um lado, não dura, não é capaz, não fortalece. Se desfaz. Assim como existe a vaidade. O nariz em pé ao encher o peito na roda de amigos e declarar: não faço uso da coleta seletiva e nunca fiz. Interiorizando ações. Era da evolução da tecnologia e do menos andar. Menos caminhar. Conversa vai, conversa vem. Aliviamento esgalho. Pelo que parece, só dizer não lhe satisfez. Ficou inquieta. Nervosa para expressar mais aquilo que refletia há tempos. Por interpretações permeia. Por direções (des)norteia. Vagueia.
Um amigo que mora na Serra e estuda na UFES fala que sempre que vai à universidade leva garrafas e restos recicláveis paradepositar na coleta seletiva que fica ali. Aurora estranha: serei a única que avalia esse assunto como  uma  bobeira  alarmante  ecogica?  Uma  amiga  diz  que  a  noite  ao passear com a Luna, uma  shitisu elegante,  deposita  na  coleta seletivos restos, depois de bem lavados e sem nenhum resquício do alimento. Conversação primordial.
Aurora sente o rosto enrubescer. Vergonha: receio de se sentir ridículo perante as pessoas; e sentiu.
Progresso nulo com toneladas de regresso. Alcançaria o estágio ilusório ou forçaria a incapacidade mental? Ela cogitou variar ideais pprios com a junção de ideias alheias. No arranjo da consciência de palavras mortas Aurora teve mais de dez sonhos seguidos. Bucólicas visões sórdidas. Prazo crescente da validade: dos produtos ali jogados; da humanidade em Terra. Contentamento plausível pela simples existência que lhe reportas. Ao dormir, a essência pura se fez presente. A origem de querer ajudar o pximo. Não por mero querer, mapor  realizar.  No  devaneio  de  amigáveis  sentençavivas,  pressentiu enterra as   pobres   concepções   anteriores     conserta do tortos pensamentos antiquados. Exteriorizando para o mundo: vontade. Na cidade de Vitória, sendo efetivada em maisações e menos blábblá.
Aurora imaginava estar de passagem nesse mundinho. (Que de “inho não tem nada). Então para quê ajudar se no fim a contribuição de uma pessoa o fará diferença alguma? É aí que o erro cria raízes. A mudança deve partir de dentro e com projeções futuras. Enxergar além do que uma pessoa faz e praticar todos uma ação: a de fazer valer a coleta seletiva. Pleonasmo para fazer entender que o mundo pede ajuda.
O que fazer se somente uma pequena parte da população se preocupa com os hábitos para reciclar o recurso reutilizável? Fazer a parte que lhe cabe. A parte que convém a cada umaAurora existente na imensidão. Pelo menos é um recurso que dá para usar novamente... Aurora, ponderou se acontecesse o mesmo com os recursos naturais? Que são limitados e, de uma hora para outra, pudessem ser reutilizáveis?
O descarte irregular do lixo gera inúmeros desastres naturais. Como as enchentes pelos bueiros entupidos com  o despejo de resíduodificilmente deterioveis nas ruas; os lixos nas praias poluindo visualmente e degradando a natureza; e em alto mar, em que os animais sofrem dificuldades para sobreviver pela atuação de restos plásticos. Existe a educação ambiental e ela deve ser disseminada o mais rápido possível.

O meio ambiente pede socorro. Não tem a paciência que teve Aurora para repousar semanas nomesmo quadro estático. Petrificada por tudo o que ouviu. Construindo, agora, a ppria opinião. Enquanto isso, desgaste pela demora do procedimento. Transpancia de dados. De 2014: apenas 13% dos brasileiros têmacesso à coleta seletiva”. O número precisa aumentar, e, para isso, o estímulo para os moradores contribuírem na evolução do processo deve sobressair dados quantitativos de2014.
Por vezes clara, por vezes cinza, a mente de Aurora desanuviou e o esmaecejamais.


*Sobre o nome da personagem: Aurora significa “o nascer do sol”, “o raiar do dia”. De acordo com a mitologia romana, a deusa Aurora era responsável em sobrevoar os céus anunciando o começo de um novo dia.

Na crônica, Aurora é uma jovem que se vê cercada de bons motivos para ser ecologicamente saudável, mas que refuta a cada sinal que recebe. Fazendo referência à deusa romana, ela anuncia o começo de um novo dia ao acordar depois de muito tempo para ajudar o mundo a sobreviver.
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Aýla e as linhas astrais

Aýla Lourenço Motta é a pessoa que mais mora no mundo astral que conheço e por isso tem um lugar especial no meu coração. Aýla tem 25 linhas completas, também chamadas de tempo que a Terra demora para dar uma volta em torno do Sol. Acredita fielmente no poder que os astros têm sobre nossas vidas, meros mortais. Formou em 2015 em Artes Plásticas, na UFES, e divide comigo o sobrenome.
Aýla acredita na sintonia entre os movimentos astrais e os acontecimentos terrenos. Explica que da mesma forma que as fases da lua acompanham o nível das marés, nós também somos influenciados: nosso humor, por exemplo, é afetado pela lua cheia de modo que ficamos agitados, com as emoções à flor da pele.
“Porém, para a astrologia, um trânsito lunar é interpretado de acordo com a constelação por onde a lua está passando, ou seja, se a lua estiver passando por capricórnio, é mais comum que estejamos tranquilos, com os sentimentos contidos, pois a lua vai assumir as características desse signo”, afirma.



“É como se os astros fossem atores e as constelações fossem cenários: a cada transição, o ator assume uma nova persona”

 

Aýla nasceu no dia 18 do mês 11 e se identifica com as características do signo dela: escorpião.
Mas, acrescenta que esse signo que você se acostuma a dizer que é o seu, dá só uma ideia parcial e superficial da personalidade. “Pra ter uma noção melhor das tendências de comportamento, é necessário considerar o mapa astral como um todo, e não apenas a posição do sol ou do ascendente”, ressalta.

Astrologia
O interesse da artista pela astrologia se desdobra em uma pesquisa que iniciou na faculdade de artes plásticas em 2014. Nessa pesquisa por temas esotéricos, Aýla realizou uma série de desenhos, os Retratos natais, com base nos dados (data, hora e local de nascimento) de mapas astrais de pessoas próximas a ela.

Retratos Natais
(15 x 21 cm) Costura sobre canson. Acervo Galeria Voa. 2015 

Nesse trabalho, que faz até hoje acompanhado de conversas/consultas, vê a astrologia como um viés para compreender as diversas maneiras de se relacionar com o mundo. A partir daí, usa esse saber pra ampliar as percepções dela sobre os outros e sobre ela mesma, potencializando o que é harmônico e evidenciando os atritos de forma mais branda.

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Avessos

(15 x 21 cm) Costura sobre canson. Exposição na Galeria de Arte e Pesquisa na UFES. 2015

                                                                                     

Para se relacionar com alguém, você leva em conta o signo ou o mapa astral da pessoa?
Acho que traçar o mapa astral de alguém por quem você se interessa é inevitável (risos), seja esse interesse relativo à amizade, amor ou trabalho, além de criar uma aproximação descontraída (olhando o lado positivo). O mapa astral ajuda a ter uma ideia do que se pode esperar de alguns comportamentos afetivos, profissionais, espirituais, entre outros. Mas é necessário ter o cuidado de não usar essas informações pra bloquear a proximidade com alguém diferente, num tipo de preconceito astral.
Já tomou alguma decisão importante tendo como base alguma informação que lhe foi dada pelos astros?
A astrologia contribuiu significativamente em minha pesquisa como artista. Graças a ela, cultivo um olhar especial pra todas as artes divinatórias e esses saberes direcionam e inspiram meus trabalhos artísticos. Minha dedicação mais recente é o Tarot, um trabalho onde interpreto e respondo questões com o tarot, um oráculo com 78 cartas, 22 arcanos maiores e 56 arcanos menores. 

Dar as cartas

Intervenção urbana com 56 cartas de baralho, em 2016. Caso encontre uma dessas cartas por Vitória, já sabe quem as colocou!

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Menciono a sis em um texto que fiz para a disciplina de redação jornalística enquanto mapas astrais feitos por ela estavam em exposição no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES).

Céus de Dionísio

(89 x 105 cm) Instalação com pregos e linha de costura. Exposição feita no Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES). 2015


Dois Céus

(40 x 63 cm) Costura sobre impressão, em exposição no OPARQUE.
2015
(15 x 21 cm) Impressão sobre chapa de aço, em exposição no OPARQUE.
2015

Planilhas Astrológicas
 (10 x 15 cm) Planilhas astrológicas, em Auto-residência de verão. Stabilo sobre papel quadriculado, em exposição: Nuvem – Estação rural de arte e tecnologia
Visconde de Mauá – RJ .2016



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 Como observar constelações

(15 x 21 cm) Perfuração sobre folha de acetato. (15×21 cm) Em exposição no OPARQUE. 2015





Para encomendar um mapa astral é só falar com ela pelo instagram @aylalourenco     


 Ingrid Lourenço